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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Everything happens for a reason

Foi um 2014 que passou em minha vida

Acho que se eu tivesse que batizar um novo furacão, eu o chamaria de 2014. Ainda não sei definir como foi esse ano, mas sei que ele foi forte. Mas forte mesmo. O que teve de bom, foi extremamente bom. E o que teve de ruim, foi bem ruim. Tanto que muita coisa eu ainda estou tentando digerir ainda hoje.

E não sei explicar muita coisa do que aconteceu. Eu estava construindo uma nova vida, um novo trabalho e novas relações do outro lado do mundo e, de repente, como em uma catapulta, fui lançada aqui. Pelos motivos mais chatos, que incluíam idas intermináveis ao hospital e noites mal dormidas. Graças a uma equipe médica competente, uma família unida e um pai atleta, está tudo bem agora, mas eu ainda não sei o que fazer com isso tudo. Algumas construções continuam erguidas, mas grande parte delas também foram ao chão. Levando-me junto. Doeu muito e ainda dói. Por mais que aquela vozinha continue dizendo que eu não deva parar de tentar, eu me consenti um tempo de altas aqui, onde é meu porto seguro.  


O foco tem sido o lado bom de cada acontecimento e a palavra do momento tem sido gratidão. Tenho agradecido todos os dias que tudo tenha acontecido da melhor maneira possível e ainda bem que existe o Ano Novo para nos fazer refletir e tentar entender. Ainda bem que existem novas chances e novas esperanças

2015 será o sexto ano em que dividimos esse espaço. Além de muitas experiências, aventuras e narrativas, então, gostaria de agradecer a companhia e desejar que tudo de melhor se realize pra você! Que possamos continuar juntos por aqui e que não nos falte inspiração e ânimo para continuarmos nos levantando!

Feliz 2015! 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

5 perguntas [e respostas] sobre o blog

E eis que a fofa da Manu me propôs responder a essa TAG já faz algum tempo e eu finalmente consegui me organizar por aqui. A proposta da TAG é super legal pois ajuda a conhecer um pouquinho mais sobre cada blog e seu autor, além de estabelecer laços entre blogueiros! :)


As perguntas que a Manu me mandou foram:

Por que você decidiu criar o blog?
Decidi criar o blog para compartilhar a minha experiência de estudar e morar na Itália, pra onde fui em 2009 (e onde estive desde então), para fazer uma pós graduação em comunicação, moda e turismo. Mas também queria listar os procedimentos para se obter tanto uma bolsa de estudos, quanto a cidadania italiana, sem precisar pagar pela assessoria de ninguém. Informações que, quando busquei, eram muito precárias. Eu também adorava a ideia de ter um espaço onde eu pudesse ajudar pessoas que estavam na mesma situação que eu. Além disso, a moda era um setor completamente novo pra mim e me sentia privilegiada de estar aprendendo tanto justamente na capital mundial da moda. Era tanta coisa boa acontecendo ao mesmo tempo que eu precisava dividir! E o blog foi o modo que encontrei para isso.

Seus propósitos com o blog já mudaram desde que você o criou?
Acho que não. Acrescentei alguns temas, como os posts sobre turismo e fotografia. Mas os objetivos ainda são os mesmos.

Você já teve algum problema por causa do blog (privacidade, comentários negativos-ofensivos, fofoca, etc)? Se sim, como você reagiu?
Que eu me lembre não. Mas eu nem sou tão acessada assim, rs.

O que o blog te trouxe de bom?
O blog me trouxe leitores fofos que compartilham comigo suas experiencias. O maior orgulho é escutar deles que servi de inspiração, de incentivo e de esperança - que através da minha historia eles viram que é possível realizar o sonho de estudar em outro pais com pouca grana e muita determinação.

Qual post te deu mais orgulho em ter escrito?
Difícil citar um só. Gosto muito do post em que listei as diferenças culturais entre brasileiros e italianos, pois foi um dos que mais gerou participação por aqui e rendeu boas risadas.

Gosto também dos post  mais instrutivos como:
Documentos e práticas necessárias para se estudar na Italia,
Ser jornalista [fora do Brasil]

Ou mais reflexivos como: Consumismo responsável existe?

Mas gostei também de relembrar a minha trajetória na Ralph Lauren, foi bem gostoso de fazer.

E de contar os meus micos na Italia.

Bom, é isso! Agora vocês já sabem um pouquinho mais de mim!

Convido as amigas Isadora e Aury a participar da TAG ;)
Agradeço a Manu pela indicação e espero que tenham gostado!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nao vou sair [do pais] assim



Tenho recebido tantos e-mails de pessoas que chegam até mim através do blog que não tenho conseguido responder a todos. Por isso, sempre que eu tiver um tempinho, vou procurar escrever posts que esclareçam as dúvidas de todo mundo numa tacada só.  Eu já disse isso antes, mas na verdade, tenho feito muito menos do que eu realmente gostaria.

Muita gente me perguntou se vale a pena vir tentar a vida na Itália mesmo não tendo direito à cidadania, ou ao “permesso di soggiorno”.  Eu não sou nenhuma expert no assunto, pois vim para cá com o visto de estudo que durava um ano e, no meio tempo,  dei entrada no meu processo para obtenção da cidadania italiana (já que meu avô era italiano e eu tinha direito) e fiz tudo sozinha. Cheguei aqui preparada, com todos documentos autenticados, traduzidos e registrados em cartório. Como eu havia estudado italiano, em cada departamento público por onde eu passei, eu sabia me expressar tanto para esclarecer minhas dúvidas, quanto para falar bem alto que eu estava dando entrada em um processo ao qual eu tinha absolutamente direito e que ninguém estava me fazendo um favor, que era o trabalho deles, um direito meu e ponto final. Dito tudo isso, tudo deveria ter sido muito simples, mas não foi.

A Itália, teoricamente, é um país de primeiro mundo mas, na prática, é bem diferente. Houve muita divergência de informações, tempo perdido, burocracia e muita, mas muita ignorância. Gente mal informada, racista e preconceituosa por todos os lados. Mas nada nem ninguém ia me fazer desanimar de conquistar meus documentos e, assim, depois de um processo que durou 6 meses (e com a ajuda da minha tia italiana que me ensinou a falar mais alto, quando necessário), com muita paciência para contar a minha história de família para cada funcionário por qual eu tive que passar, eu obti o reconhecimento oficial das minhas origens. 

Nesses dois anos por aqui, eu conheci muitos brasileiros que moram na Itália, legalmente ou não, e posso dizer que para nenhum deles é/foi/será fácil. Um brasileiro que nunca saiu do país não faz ideia de quanto racismo exista na Europa. Simplesmente porque nós somos habituados a conviver com estrageiros há gerações e não nos diferenciamos tanto assim deles. Ok, países europeus como Itália, Portugal e Espanha estão sofrendo uma invasão enorme de estrangeiros ilegais e talvez isso seja realmente preocupante, mas o fato é que as pessoas já aprenderam a identificar cada um deles pela côr da pele, sotaque, modo de vestir, etc. Características insuficientes para estabelecer se uma pessoa é merecedora de respeito ou não. Enfim.

Certamente é uma das coisas que me deixam mais tristes por aqui é escutar as pessoas que julgam as outras baseando-se somente em sua origem. Existe o rótulo para os do leste europeu, para os latino-americanos, para os cineses, para os franceses, para os africanos, para os indianos, mas o mais absurdo é o preconceito entre os próprios italianos. Para mim, que venho de um estado que, só ele, já é maior que toda a Itália, e mesmo assim me reconheço/identifico/orgulho com um brasileiro que tenha nascido em qualquer lugar que ultrapasse as barreiras da minhas Minas Gerais e esteja entre o Oiapoque e o Chuí, é coisa aburda, ignorante e para gente de mente muito pequena mesmo discriminar alguém que nasceu a 20 km de você por qualquer que seja o motivo (diferença de dialeto, de vegetação ou tempero usado pela população vizinha na preparação de determinada sopa). Ah, me poupe, né? A cada 100 km existe alguma região que quer conquistar autonomia, que quer cultivar um dialeto criado somente para não ser entendido pelo vizinho, que diz não se identificar com a Itália seja pelas falcatruas cotidianas, pelo política corrupta ou pela polenta preparada mais mole ao norte do país ou mais dura ao sul. Sinceramente, quando uma região não tem problemas suficientes, precisa inventá-los. Eu odeio essa segmentação com todo o meu coraçãozinho e chego a me envergonhar dos meus 25% de italianidade nessas horas.

A verdade é essa: o processo de integração para um italiano do sul que veio viver no norte da Itália, já não é fácil, imagine para um estrangeiro. E tudo isso implica dificuldade para arranjar emprego, para fazer amizades, para convencer e conquistar pessoas em diversas situações e afeta também a auto-estima do emigrado. Se você não tem os documentos em ordem, tudo se complica ainda mais. Vai ter que se contentar com trabalhos de baixo nível (se conseguir encontrar um), sem contratos, sem estabilidade e com uma vida sem acesso à bella Italia que sempre vimos na novelas da Globo e nos filmes no cinema. 

Portanto, para você, que me perguntou se vale a pena viver na Itália sem os documentos necessários para tal, a minha resposta é absolutamente não. Reconheço as infinitas belezas, vantagens e maravilhas de viver na Itália, mas não me sinto nem um pouco confortável diante de preconceito e racismo destinados a quem quer que seja. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Dos prazeres da vida

Se tem uma coisa que me da prazer nessa vida, essa coisa se chama carimbar o(s) passaporte(s). E se eu tenho um motivo para ir à falência, que seja o mesmo! Porque eu quero mesmo é rodar o mundo, conhecer lugares, fotografar paisagens maravilhosas e ser feliz! o/



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Recomeçando

A vida é cheia de recomeços. Um dos maiores foi deixar meu pais, minha cidade, meu trabalho, amigos, namorado, cachorro e papagaio e vir atras de um sonho antigo. Pronta para enfrentar o desconhecido completamente sozinha pela primeira vez. Sou a caçula de casa e sempre fui muito protegida, única filha mulher e, ainda por cima, mais nova.... Vim com a cara e a coragem (uma bolsa de estudos, uma passagem de volta e toda documentação para pedir a cidadania italiana), mas o que eu mais tinha em minha bagagem era mesmo certeza. Certeza de ser o momento justo para a realização de um sonho. Nesse tempo tenho aprendido muito: me virar com a vida de adulta, me defender, me impor e me valorizar. De uma hora pra outra, ficou bem mais difícil esperar que alguém o fizesse por mim.
Desde que cheguei em Milão, foram tantos episódios de filme de tensão, que eu fico com preguiça de contar coisa ruim. Como se eu não tivesse mesmo tempo a perder com nada que seja negativo. Os ladroes foram so um caso e, pouco a pouco, a vida tem entrado no seu ritmo da maneira como eu sempre busquei. Como esse é um espaço pro meu lado fútil, seguem algumas fotos que também fazem parte dessa reconstrução (já que eles levaram minha caixinha de bijuterias sem do nem piedade, mesmo nao valendo nada).









quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tem dia que é foda.

Tem dia que é foda. Dai voce sai estressada do trabalho e caminha a cidade inteira. Ve coisas assim, lembra de quando tudo era somente um sonho, toma sorvete e melhora.

domingo, 24 de abril de 2011

Quarto novo!

Nao sei se voces repararam, mas essa semana meus posts quase nao tiveram texto e eu quase nao dei as caras por aqui. Nao so pela correria de estar envolvida em tres projetos diferentes e trabalhando sempre até mais tarde, mas também porque nas semanas anteriores andei fazendo compras pro quarto novo e, consequentemente, montando movéis, arrumando e limpando tudo. Meus ultimos fins de semana foram de pouca diversao e muuuita arrumaçao. O que acarretou um cansaço fenomenal, com direito a dores por todo o corpo (véio é foda!) e um resfriadinho super chato trazido pela mudança de temperatura. A parte boa é ver tudo arrumadinho depois, poder desfazer malas e caixas e organizar tudo dentro das gavetas, pendurar tudo no armario e descobrir coisas que nao via ha tempos! Vim mostrar pra voces todas as fases desse trabalhao:

Primeira fase: comprando os moveis no Ikea e enfiando tudo dentro do carro. Sobrou pouco espaço pra mim.
Mas aproveitei a ocasiao para ja iniciar a leitura das instruçoes e aprender o passo-a-passo. Tudo isso num calor ideal pra fritura de miolos!
Segunda fase: tralha para todo lado, tudo ainda dentro de caixas e malas, montagem da cama, pedacinho por pedacinho e o resultado final.
Terceira fase: montagem da comoda: ainda mais dificil que a cama! Mil detalhes e pedacinhos para encaixar, pregar e martelar! Depois de seguir milhares de instruçoes, a satisfaçao de ter algo (bem) montado por voce.
Organizador de gavetas incrivel encontrado no Ikea!

Da pra separar calcinhas, sutiens, biquines e tudo mais!
Apos limpar e faxinar, hora de colocar cada coisa em seu devido lugar. Chaves da casa nova e departamentos tecnologia, literatura, zoo, etc...

Ja da pra sentir uma harmonia melhor, né? Tudo começando a ficar mais organizado.
Além do quarto arrumadinho, ainda que faltem quadros nas paredes e pequenos detalhes, estou super feliz em dividir a casa com duas italianas simpaticissimas e super divertidas.
Posso te contar que estou bem mais tranquila agora e que esta dificil me tirar de casa? =D

Vorrei ringraziare specialmente il mio ragazzo che mi ha aiutato tantissimo in tutte le fasi con la sua forza incredibile nelle braccia, con la sua generosità e pazienza. Grazie, pisu!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ser jornalista [fora do Brasil]

Muita gente tem me escrito com dúvidas sobre como estudar na Itália, como conseguir uma bolsa de estudos, como é viver por aqui, como exercer a profissão de jornalista na Itália, etc... Então vou tentar, sempre que possível, escrever mais sobre a minha experiência. Não sou nenhuma especialista no assunto, gente, então vou expor somente o meu ponto de vista a partir de como aconteceu comigo. É lógico que cada caso é um caso e, com você pode ser tudo muito diferente do que foi comigo. Então, encaremos tudo como um simples relato. Vou começar, como vocês já leram no título, pela profissão de jornalista.


Ser jornalista quer dizer gostar de escrever, saber e escrever e, principalmente, escrever bem. Quando você decide mudar de pais, quer dizer que voce é capaz de fazer tudo isso em outra língua, além da sua, senão caberá a você, abandonar a profissão. Mesmo que você migre já contratado por algum veículo de comunicação que, nesse caso, lhe mandará como enviado especial ou correspondente internacional, você vai precisar dominar o idioma para buscar informações, entrevistar pessoas, ler outras matérias, livros e “traduzir” tudo isso, seja no idioma local ou na língua materna.

Jornalista tem que dominar línguas e não tem muito como escapar disso. Tem que correr atrás, deixar a preguiça de lado, se empenhar e não ter medo de aprender, de descobrir e de desbravar novos caminhos. Conhecimento nunca é perda de tempo e, por mais que pareça improvável, um dia sempre serve pra alguma coisa.

No meu caso, graças a uma bolsa de estudos, fiz um bom curso de italiano, durante cinco anos. Hoje eu poderia dizer que foi pesado acordar cedo todos os sábados, pegar dois ônibus, atravessar a cidade, assistir 4 horas de aula, gastar o dinheiro que eu não tinha para almoçar fora, pegar mais dois ônibus, atravessar a cidade de novo e chegar em casa tendo “perdido” metade do meu sábado, durante anos. Mas a verdade é que não foi pesado. Eu trabalhava, estudava e namorava. Tinha mil opções e convites para me divertir aos fins de semana. Mas ao invés disso, eu preferia ir a aula, e em um determinado semestre desses tantos fui a única aluna 100% presente, simplesmente porque me apaixonei pelo idioma, pela cultura italiana e queria saber me comunicar bem. (E não somente me fazer entender, pois sou daquelas que se envergonham em falar errado, e sempre busquei falar de maneira correta o português). Enfim, peguei gosto pela coisa e um pouquinho de paixão pode fazer toda a diferença.

O problema foi que, do período em que terminei o curso, até quando ganhei consegui a bolsa para fazer o mestrado em Milão, passaram-se 5 anos e confesso que meu italiano estava mais que enferrujado, mesmo buscando, sempre que possível, manter o contato com o idioma batendo papo na internet com meus amigos virtuais italianos, ouvindo músicas, assistindo filmes... Quando cheguei à Itália e fui diretamente conhecer parentes italianos e assistir as aulas do mestrado, nos primeiros dias sofri um choque: para habituar o ouvido, para pegar um pouco de fluência, para perder a timidez.... E foi preciso ler muito em italiano, ver muita TV, prestar atenção na fala dos outros, comprar muito livro, gramática, dicionário e vocabulário para conseguir escrever toda a tese em italiano, fazer provas orais.

Mesmo assim, nunca me senti capaz de exercer realmente a profissão aqui na Itália (e não entremos nem mesmo na questão racismo e preconceito europeu. Nem no quanto foi difícil e demorado arrumar emprego em meio à crise em que a Itália está). Hoje trabalho em uma agência de comunicação escrevendo muito, traduzindo e aprendendo ainda mais. Na verdade, o meu ramo nunca foi tv e radio (ainda bem, porque acho que seria ainda mais complicado exercê-lo em outra lingua, não havendo contatos e tendo sotaque estrangeiro). Mas sim comunicação empresarial, internet, jornal impresso e revista. O que quero dizer é que as diferenças podem ser inúmeras quando se trata de jornalismo fora do nosso país. Lembro-me que quando peguei o primeiro jornal no metrô de Milão, fiquei indignada e tive a sensação de que estava tudo errado na estrutura da notícia, no respeito à ética e ás leis e a tudo aquilo que aprendi na faculdade. Por exemplo, nos jornais daqui, costuma-se fazer o maior "nariz de cêra" antes de chegar realmente à informação (ou seja, enrolar, encher linguiça, uma espécie de super introdução ao assunto) e, no Brasil, aprendemos que no lead (primeiro parágrafo da notícia) deve conter todas as informações relevantes da notícia (o quê, quem, como, onde, quando e por quê) e após lê-lo, você pode decidir continuar ou não, de acordo com o seu interesse pela notícia, mas o mais importante, você já teve acesso somente pelo lead. Tudo bem, com o tempo, eu entendi que com certeza existem mil particularidades que não querem dizer exatamente que sejam erradas, mas são simplesmente diferentes em cada país e, pra entender melhor o jornalismo aqui, ou me enquadrar, talvez eu deveria ter me formado na Itália.

Outro exemplo de diferença é que no Brasil não noticiamos casos de suicídio e aqui praticamente todo dia é noticiado. Além disso, na tv, tem uma coisa que me incomoda MUITO: os jornalistas trabalham com tudo anotado em um papel amassado e abaixam a cabeça (mostrando a careca, várias vezes, por minutos intermináveis). Eu não sei porque, mas um TP deve custar muito caro na Itália, né? Sem falar que, ao menos no jornalismo televisivo brasileiro, o figurino é totalmente adequado (sem decotes, maquiagem, penteados, brilhos e acessórios exagerados). É tudo alinhado no melhor padrão-Globo-de-qualidade. Já aqui, é praticamente um desfile de moda vulgar: assusta até os mais moderninhos liberais!

Outra questão importante é que para exercer o jornalismo na Itália, você precisa fazer a prova da Ordem Nacional dos Jornalistas, que eu não tenho nem idéia de como seja, mas somente através dela você terá o seu registro profissional.

Bom, espero ter esclarecido algumas dúvidas, mas não se baseie somente no que você leu aqui. Pesquise, informe-se, consulte outras fontes e entre em contato também com outras pessoas. Um bom jornalista nunca consulta somente uma fonte! ;-)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre a visita de ontem


Parecia um filme de terror. Entrei no prédio e estava tudo escuro, procurei o interruptor e percebi  que não havia elevador. Percorri os três andares pela escada e, no último lance, notei que haviam milhares de coisas pelo chão: esculturas, móveis e coisas que não deveriam estar ali. Na porta, uma senhora me esperava. Loira, olhos azuis e roupas simples. Entrei, me apresentei e ela me mostrou a casa. O corredor era extremamente estreito devido às coisas que ali estavam: caixas, lençois, cestos. Até o teto. O banheiro ainda conservava as louças de 1910. Como trilha sonora, miados de duas gatas antipáticas. No quarto, uma escrivaninha pequena, uma cama de casal e um sofá cobertos por lençois brancos. A parede era, na realidade, uma divisória fina e mal colocada. Luzes baixas que tornavam o ambiante mal iluminado. Eu não sabia onde me colocar para estabelecer um diálogo com essa senhora. Educada, simpática, mas extremamente bagunceira. Talvez teria sido melhor não ter assistido Psicose na noite anterior para não fazer associações tão absurdas mas, de qualquer maneira, minha senhora, isso aqui nunca será um lar.

Pelo estado do apartamento, deveria ser ela a me pagar 430 euros por mês para estar ali. 
#cansada

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vamo que vamo!

Meninas, gostaria de agradecer os comentários do penúltimo post. Fiquei muito feliz com o incentivo de vocês. Foi ótimo descobrir que tenho mais do que 3 leitoras e é muito bom sentir esse retorno. Como vocês sabem, blogar dá trabalho, exige dedicação, tempo, criatividade e disciplina. E às vezes é muito bom saber que nao estamos falando sozinha. Mesmo mantendo o blog pelo simples prazer de publicar coisas que me inspiram, me despertam interesse ou me chamam atenção é melhor ainda poder dividir e trocar impressões. Obrigada de coração Eneida, Juliana Rossa, evi, Juliana, Carla Guanais Branchini, Karol Nascimento, Ariadne Lima, Mônica, Aline Buaes, Liana!

Bom, complementando as informações respondo às questões levantadas por vocês através dos comentários:
1 - Sim, o condomínio tem porteiro durante todo o dia, mas nota-se que o comportamento do sujeito é meio displicente, né? Digamos que para meninas bonitas, ele está sempre disponível, mas não está atento às pessoas desconhecidas que entram munidas de ferramentas e saem carregando malas.
Eu sentia uma certa segurança ali justamente por ser um condomínio fechado, com um jardim interno que distancia os prédios e janelas da rua, mas enfim, quando um ladrão esta determinado a roubar, nao acho que haja dificuldade que nao possa ultrapassar. Além disso, desconfio (é quase uma certeza minha) que a proprietária, quando esteve no apartamento no sábado e eu nao estava, deixou a persiana aberta (que é um tipo bem pesado e se chama taparella) do quarto pelo qual os ladrões entraram, facilitando o acesso e até mesmo a visibilidade do interior do ap. Esse fato me trouxe muita raiva, mas como não existe maneira de mudar o que aconteceu, o jeito é nao desperdiçar tempo remoendo o erro dessa £$%&*&%£*!!!
2 - No fim de semana voltei ao apartamento e acabei de pegar todas as minhas coisas. Enquanto não acho um novo quarto pra alugar, vou me hospedando na casa de amigos com a vida toda dentro de caixas e malas.
3 - Posso ficar sem casa, sem grana e até meio sem rumo, mas sem camera fotográfica eu não fico, portanto já fiz o pedido da nova Nikon D3100, que é maravilhosa e custa o mesmo valor que paguei na minha adorada (e roubada) D60. Vou ficar completamente falida, mas já estou tão acostumada hauhauha, o importante é estar feliz! E nós duas vamos ser muito felizes juntas ;)
4 - Ainda bem que eu havia feito o back-up de todos os meus dados do computador há mais ou menos um mês e nem tudo foi perdido. Como diz minha mãe, vão-se os anéis mas ficam-se os dedos!


Fatos curiosos:

- Ladrões parecem não ter muito apreço pela cozinha e nem passaram pela minha. Quando eu ainda trabalhava no showroom da Ralph Lauren, uma modelo também teve a sua casa invadida e a sua sorte foi ter usado o computador na noite anterior na cozinha. Os ladrões não o levaram e aposto que nem o viram.
- Levaram todas as minhas bolsas, que nao valiam nada, as botas da minha coinquilina (além de jóias e bijouterias) e vi que as maquiagens no banheiro também estavam remexidas. Será que se tratava de uma ladra?

- Tenho (ok, tinha) uma estante no armário cheia de livros. Jogaram tudo no chão e fuçaram todas as gavetas, mas os livros permaneceram intocados. Assim como meu dinheirinho escondido dentro de um caderno. Estou começando a acreditar que alimentos e material escolar são grandes aliados contra roubos e potenciais caixas-forte.

Fica a dica e vamo que vamo!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

De repente, tudo muda

Talvez eu devesse ter falado mais aqui da minha vida pessoal para que, hoje, vocês entendessem que eu já passei por MUITA coisa desde que cheguei à Italia. E que, na minha vida, nunca recebi nada sem esforço e força de vontade. Você pode entrar aqui achando que é um blog de uma patricinha falando de moda em Milão bancada pelos pais... mas a realidade é bem diferente e chegar aqui não foi tarefa fácil nem barata.

Na gaveta, dentro de um caderninho ao menos a grana, que eu havia sacado ha pouco pro aluguel, ainda estava lá. Em desespero, chorando, eu ri quando encontrei o dinheiro, pois pelo menos ele se salvou. No outro quarto, da outra menina, tudo revirado da mesma maneira, e no quarto maior, que estava desocupado, a porta da varanda havia sido arrombada e estava ainda completamente aberta.

Uma amiga veio correndo me encontrar enquanto eu esperava a policia chegar, arrumei uma mochila e, após o depoimento, fui dormir na casa dela (ok, eu não consegui dormir nem um pouco). E no dia seguinte, uma outra amiga me acompanhou à delegacia para fazer a denuncia, e depois, ao apartamento para encaixotar tudo para me mudar dali. Mesmo sem ainda ter encontrado um lugar melhor. Por enquanto estou na casa da mesma amiga onde dormi na primeira noite.

Em pouco tempo, apesar de não ter a minha família e seu apoio por perto, consegui arrumar tudo e tenho certeza que vou encontrar uma casa legal logo. Tive a sorte de encontrar bons amigos na Italia, de maneira que estou sempre bem acompanhada, seja em momentos de diversão que em momentos tristes e chatos como esse.

È chato ver tudo que demorei tanto a comprar ser levado assim. Foram coisas que consegui comprar somente porque ganhei uma bolsa de estudos e a câmera, um caso a parte, pois era um sonho antigo que sempre pareceu muito distante. Fiquei completamente falida depois da aquisição, mas tinha sempre aquele gostinho de que valia a pena no final das contas. A verdade é que quando me deram essa bolsa de estudos para estudar em Milão, ganhei um pacote de possibilidades novas e, assim, finalmente foi possível realizar sonhos e satisfazer paixões como essa pela fotografia.




Nessa segunda-feira cheguei do trabalho à noite e quando abri a porta de casa, notei que havia uma cadeira apoiada à porta, todas as luzes acesas e dali pude ver a porta do meu quarto, que tranco sempre antes de sair de casa, aberta. Me aproximei e encontrei todas as minhas coisas reviradas, jogadas no chão, fora de seus lugares. O computador que havia deixado no móvel ao lado da cama, não estava mais ali. A câmera fotográfica Reflex na estante, também não. E foi então que me desesperei, chorei, xinguei e não acreditei: me roubaram tudo que eu tinha. E tudo era só isso mesmo.


Estranhamente, após o primeiro impacto do susto, fui invadida por uma sensação de confiança de que tudo ira se ajeitar muito em breve. E sem nenhum passe de magica ou crença em seres milagrosos, apenas trabalho e vontade de evoluir cada vez mais sem me prender aos imprevistos que a vida me apresenta.


Talvez porque, depois de dois anos morando em Milão, eu finalmente tenha encontrado um emprego em uma agencia de comunicação (e tudo aconteceu de uma maneira tão especial que merece um post exclusivo pra contar). Estou trabalhando na minha a área, como eu queria, em um ambiente super criativo e divertido, aprendendo muito a cada dia, conhecendo muita gente, me sentindo cada dia mais integrada e prevendo somente melhoras daqui em diante. Que as urucubacas fiquem em 2010 porque eu estou pronta pra começar 2011 com tudo e sei que, longe ou perto, estou cercada de pessoas especiais que só querem me ver feliz (e é por isso que agora você me vê sorrindo em San Gimignano e Siena).






Boas festas a todos!



domingo, 2 de agosto de 2009

O inìcio

Eu queria estudar na Italia, então escolhi um master em comunicação e sociologia. Mas chegando em Milão a universidade me avisou que o curso não havia tido quorum e não seria realizado este ano. Eu, que queria uma base sólida e bastante teórica para quando voltasse ao Brasil poder, quem sabe, lecionar em alguma universidade e largar a minha vidinha mal remunerada (embora muito amada) de jornalista em BH, acabei caindo de para-quedas em um master em comunicação, moda, turismo e entretenimento.

Eu, que nunca me interessei por moda, que acreditava que pessoas inteligentes não perdem o seu precioso tempo com esse tipo de futilidade, que mulheres de conteúdo não precisam se importar tanto com a "casca", acabei durante o curso, descobrindo outras maneiras menos preconceituosas de analisar e compreender a moda. E, para minha surpresa, a adorada sociologia se encaixou muito bem nesse contexto. Afinal, do que mais a moda pode estar impregnada senão de comportamento humano em sociedade?

A primeira surpresa foi, ao andar pelas ruas de Milão, perceber à minha volta pessoas tão estilosas. Não no sentido de seguir tendencias e lançamentos de marcas famosas, mas no sentido de usar a criatividade em acessórios, cores e formas. A capital mundial da moda está cheia de tribos das mais diversas partes do mundo (60% da população da cidade é composta por estrangeiros), com mil cortes de cabelo, estilos e comportamentos diferentes.

Após essa primeira percepção, descobri que a moda tem muito espaço nas mídias e é tratada como assunto sério. Mesmo porque, particularmente em Milão, ela contribui de forma essencial para o turismo de negócios, geração de emprego e renda e integração social.

O blog vai servir para registrar as descobertas deste novo mundo pra mim: as desconstruções de pre conceitos e lugares comuns, os conceitos que tenho aprendido nas aulas, as vitrines que tenho visto, as liquidações que tenho encontrado, os livros que tenho lido. Enfim, tudo aquilo que tenho vivido desde a moda resolveu entrar de vez em minha vida!