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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Estágio em moda: como fui parar na Ralph Lauren

De tempos em tempos alguém me escreve pedindo dicas sobre como estudar moda na Itália e, principalmente, de como conseguir um estágio legal. Infelizmente, não sou nenhuma especialista no assunto, mas acho que dividir a minha história pode ajudar. Vem comigo!


Quem acompanha o blog já sabe que vim parar na Itália porque consegui uma bolsa de estudos para uma pós graduação. Então, depois de formada em jornalismo ha dois anos e já trabalhando na área, fui para Milão fazer um curso que envolvia comunicação, moda e turismo. A própria Università Cattolica diMilano oferece auxilio na busca por estagio e tem um setor responsável por isso. Eles tem contatos com as maiores marcas e também com alguns programas de tv, revistas e jornais. O pessoal desse setor oferece suporte na elaboração do currículo, da carta de apresentação e em toda e qualquer orientação vocacional. E foi por meio desse setor da universidade que, num belo dia, chegou por email a oferta de estagio para vestierista. Eu me candidatei, fiz a entrevista e passei. Fui selecionada para trabalhar com uma equipe de cerca de 10 pessoas no Showroom da Ralph Lauren, em uma área nobre de Milão.

Vestierista vem do verbo “vestire” (vestir) e a principal tarefa do meu cargo era vestir as modelos. Ou seja, eu era responsável pelo look que os modelos desfilariam para os clientes dentro do showrrom da marca. O showroom, localizado dentro de um maravilhoso palácio histórico, não é aberto ao publico, mas somente a proprietários de lojas que revendem produtos da marca.

Rotina de trabalho: 
Esse trabalho consiste basicamente em escolher os looks da coleção, coloca-los em ordem combinando com os acessórios e ajudar os modelos a se vestirem para desfilarem para os clientes. Prestando atenção para que os clientes vejam as peças mais interessantes da coleção e também as que se enquadram melhor ao perfil de negócios de cada um. Além disso, também faz parte da função arrumar as salas com as coleções da Ralph Lauren para que os vendedores possam apresentar os produtos aos clientes, despachar produtos para a central em Nova Iorque, enviar produtos à imprensa e receber novas remessas. Os vendedores contam muito com a nossa ajuda durante o expediente e somos nós quem sabemos a localização de cada peça. Para esse cargo é preciso trabalhar com rapidez e ter uma ótima compreensão do idioma. Na verdade, quanto mais línguas você souber, melhor, já que os clientes são das mais variadas nacionalidades.


Minha trajetória:
Os três meses de estágio que eu precisava para me formar na pós graduação se transformaram em um contrato de trabalho. Sempre me coloquei à disposição para trabalhar quantas horas e dias fossem precisos durante cada campanha e o fato de morar no centro de Milão sempre interferiu a favor nesse quesito, já que dentre os integrantes da equipe, eu era uma das que tinha maior facilidade de chegar rapidamente ao showroom. Como a remuneração é calculada por dia trabalhado, o salário sempre variava bastante de acordo com as necessidades de cada coleção. Trabalhei no showroom por um ano e meio até encontrar emprego em uma agencia de comunicação em Milão.

Saldo: 
Essa experiência enriqueceu muito o meu currículo, mas foi essencial para que eu compreendesse melhor o mundo da moda e todas suas fases. Do desenvolvimento criativo, ao processo de produção, até a apresentação da coleção. Foi uma a mais completa imersão na realidade da marca. Além disso, o meu italiano melhorou muito ao trabalhar ali, ganhei vocabulário e ainda fiz amizades. Ou seja, não poderia ter sido melhor!

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Diaba veste Ralph Lauren III: A rainha no showroom


Dias desses, quando eu ainda trabalhava no showroom (ok, meeeses atrás), cheguei bem cedo ao trabalho e notei uma agitação geral por parte dos funcionários como eu. Demorou um pouco até eu descobrir que se devia à tão esperada presença da rainha da Dinamarca naquela manhã. 

Quando ela chegou, confesso que tive uma certa dificuldade em reconhecê-la pelos seguintes motivos: ela não usava uma corôa, não era loira, não era chiquérrima e nem apresentava aquele ar de realeza de quem tem o rei dentro da barriga. Estava vestida de maneira simples, falava sem arrogância e tratava bem modelos e funcionários. Tudo bem que não era a rainha da simpatia, mas ser educado já é o máximo em um ambiente em que os clientes, muitas vezes, fazem competição em antipatia e frescura. Além disso tudo, ela não se acabou em compras, mas também não deixou a desejar, satisfazendo geral as milhares de vendedoras que a circundavam =D

Mas o mais curioso de tudo é que todas nós ficamos a sua completa disposição, e todas nós quer dizer: todas as modelos, todas as “vestieriste” como eu, diversas vendedoras e também toda a equipe de merchandising da Ralph Lauren. Os “pobres clientes comuns”, coitados, tiveram de esperar que as peças de roupa e modelos se liberassem para poder escolher alguma coisa. Enquanto ela era tratada realmente como uma verdadeira rainha. Visto que todas pagam na mesma moeda fiquei me perguntando: é justo?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A diaba veste Ralph Lauren II


Dias desses em meio ao meu trabalho quase sempre igual na Ralph Lauren, a chefe me designou uma função diferente para o dia, me adiantou que tinham algumas coisas a serem arrumadas na área Press e para lá eu fui. 

Primeiro, no escritório, duas meninas me explicaram o que fazer e me deram sacolas e sacolas de roupas. Era o material enviado à imprensa para compôr os editoriais de moda. Coisa de tudo quanto é tipo e coleção. Depois me encaminhei a uma sala do showroom que eu nunca havia entrado, muito parecida com as outras, mas sem as mesas onde as vendedoras atendem os clientes/lojistas. Eram diversos armários divididos por coleção, tema e gênero, onde eu deveria separar e distribuir todo o material contido nas sacolas. Ao fundo, dois escritórios: um com várias araras com milhares de roupas penduradas e o outro com todas as revistas de moda do mundo que chegam todos os dias à Ralph Lauren. Parecia o paraíso do mundo fashion, pilhas e mais pilhas das revistas mais bacanas do setor nas mais diferentes línguas. 


Eu fiquei um tempinho ali viajando na ideia de ter um trabalho legal assim como o de quem receberia essas peças: escolher roupas, sapatos e acessórios que combinem entre si, montar cenários, escolher as modelos mais adequadas para o tema, balancear luz e contraste para evidenciar cada produto ou cena... depois, quem sabe, escrever sobre tudo isso, fantasiar em cima de cada editorial, criar personagens, mundos e histórias diferentes a cada edição.

E ali cheguei à conclusão de que a verdade é que estou cansada dos apertos de estrangeira sem contatos, sem reconhecimento e sem um trabalho legal. Quero o meu trabalho dos sonhos já!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A diaba veste Ralph Lauren

Bom, depois da pausa de férias, vim contar como é que fui parar no meu trabalho atual e as primeiras impressões até agora...

Eu estava procurando estágio por conta própria quando, em junho, recebi a vaga de "vestierista" por e-mail do setor de estágios da faculdade. A proposta era trabalhar por 3 meses, de julho a setembro, com 2 semanas de pausa em agosto (jà que quase nada funciona na Itália no mes de férias de verão) com carga horária de 9h por dia. Achei a vaga interessante, principalmente porque seria um estágio remunerado, o que é muito raro por aqui, mas ja fui pensando na concorrência com as patricinhas da minha sala. Elas que dominam o idioma, que sabem se expressar sem dificuldade, que entendem mais de moda do que eu... Tinha certeza que as encontraria là e nao deu outra! Cheguei na entrevista e, depois de mim, chegaram mais 3 meninas da minha sala.

A entrevistadora reuniu nós 4 mais uma outra candidata para conversar, explicou o trabalho, a carga horária, a remuneração e eu ali travada por estar falando na frente delas, morrendo de medo de falar alguma bobagem, de me embolar com o italiano, de me sair mal de alguma maneira.

Mas pra minha grata surpresa a entrevistadora avisou que a segunda parte da entrevista seria individual e em ordem de chegada, ou seja, a primeira seria eu. Ótimo porque, naquele dia, eu ainda ia trabalhar em um disco-pub de garçonete, com os bicos que andava fazendo desde fevereiro.

Quando ficamos só nós duas na sala dei o meu melhor, falei tudo direitinho e procurei me mostrar bem disposta a trabalhar. Sò fui me dar conta de que marca se tratava quando, no caminho de casa, jà no metro, comecei a ler as orientações sobre o trabalho que seria realizado. Dias depois ela me chamou para a vaga, chamou também mais uma colega de sala e a outra candidata. Mas não chamou as patricinhas inexperientes. :P


E foi assim que fui parar no Showroom da Ralph Lauren, onde trabalho hoje, um palácio maravilhoso e enorme no centro de Milão. E esse trabalho, consiste basicamente em arrumar as salas com as coleções da Ralph Lauren para que as vendedoras possam apresentar os produtos aos clientes, que são proprietários de lojas que revendem a marca... Então eu dobro roupas, penduro, acho o que as vendedoras querem, levo até elas, pego de volta, dobro, penduro... e tenho que saber todos os zilhões de códigos, a disposição das cores, o nome das coleções e onde elas estao, onde elas deveriam estar e onde elas podem estar. Ajudar os modelos a se vestirem para desfilarem para os clientes. Tudo com rapidez e compreensão do idioma... levei algumas patadas de vendedoras, levei alguns toques de colegas e alguns elogios de outros, mas sei que ainda estou meio fora da coisa toda... essa é a parte chata de ser estrangeiro: voce encontra muitas situações em que está "fora da coisa toda"... nesse caso, acho que não é tanto pelo fato de ser estrangeira, mas talvez pelo trabalho ser estranho pra mim... no sentido de que é bem diferente de tudo que eu estava acostumada a trabalhar (comunicação, comunicação e jornalismo).

Mas a parte boa é que, com essa experiencia, estou tendo a oportunidade de conhecer o universo da moda de perto e vive-lo dia-a-dia trabalhando para uma das maiores marcas. Não é o trabalho mais divertido do mundo, mas é o início! :)