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terça-feira, 1 de julho de 2014

[Jornalismo de Moda] Pitti Uomo 86


Estamos em 2014 e muita gente ainda pensa que trabalhar com jornalismo de moda é puro glamour. Mas a verdade é bem outra. Em eventos grandes, como o Pitti, na semana passada, a correria é intensa durante todo o dia, nos quatro dias de evento. São muitas coleções novas para ver, muita gente para conversar e muita coisa para escrever e fotografar. Isso sem falar na infinidade de eventos externos, que acontecem contemporaneamente à feira, para aproveitar o fluxo de gente e a visibilidade proporcionada pela mídia.

O Pitti Uomo é um dos eventos mais importantes no mundo todo e apresenta as tendências para a próxima estação, principalmente, para a moda masculina. [Dentro do evento também há um pavilhão feminino, mas esse é muito menor e recebe bem menos atenção, já que a especialidade do evento é mesmo Uomo].

O foco dessa feira são lojistas, representantes e revendedores e ali se fecham grandes negocios com grandes marcas. Nessa edição, o publico foi em torno de 30 mil pessoas, vindas de todo o mundo (so para vocês terem ideia da grandeza e importância desse evento). Eu estava lá a trabalho, como jornalista free lancer, para uma das revistas com as quais colaboro. Mas aproveitei para dar um "Oi" no estande da Orobianco (e uma entrevista como blogger também!) e conhecer alguns dos personagens que estavam por lá.




Icone da moda brasileira, Costanza Pascolato


Selfie com sua filha, Consuelo Blocker, do Consuelo Blog



Com o blogueiro de moda masculina mais famoso e mais requisitado, Mariano di Vaio

Com Giacomo Valentini, designer responsável pelas criações da Orobianco


 Com os blogueiros Darrel Hunter (ModeHunter) e Hun Lee (Il Gusto del Signore)

 Fotografando a amiga blogueira, Aurielen Paiva, do The suit for me

E ai, curtiu saber um pouquinho mais sobre esse universo?
[It]
Siamo nel 2014 e molte persone pensano ancora che lavorare con il giornalismo di moda sia puro glamour. Ma la verità è ben diversa. Nei grandi eventi come il Pitti, realizzato la scorsa settimana, la corsa è intensa per tutta la giornata, nei quattro giorni di evento. Ci sono tante novità da vedere, un sacco di persone con cui parlare, tantissimo da scrivere e una infinità di nuove collezioni di fotografie. Per non parlare degli eventi esterni, che si realizzano contemporaneamente alla fiera per approfittare del flusso di persone nella città e la visibilità offerta dai media.

Il Pitti Uomo è uno dei più importanti eventi a livello mondiale e presenta le tendenze per la prossima stagione, soprattutto per l'abbigliamento maschile. [c'è anche un padiglione di moda donna, ma molto più piccolo, una volta che il focus dell'evento è Uomo].

L’evento punta sui commercianti, rappresentanti e rivenditori, che stanno lì per chiudere grandi affari con i grandi marchi. In questa edizione, il pubblico era di circa 30 mila persone provenienti da tutto il mondo (solo per farvi un'idea della grandezza e l'importanza di questo evento). Ero lì a lavorare come giornalista freelance per una delle riviste con cui collaboro. Ma mi sono approfittata per salutare il team di Orobianco (e dare una intervista come blogger!). Oltre che incontrare alcuni dei personaggi che erano lì e scattare queste foto, dietro le quinta.

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[In]
We're in the 2014, and most of the people thinks that work in fashion Journalism means just glamour. But the truth couldn't be more far from the reality. I the biggest events like the Pitti, finished last week, you have to run, as strong and fast as you can go. There're so many events, news, people to see, read, talk to and, of course, column to write and pictures to take, treat and sent. And I'm not event talking about the events Pitti organizes outside the fair to gather the people attracting opinion leader and media.

The Pitti Uomo is one of the biggest event worldwide, and teaches the trends for the upcoming season, especially for the man. [they do have a pitti woman, but is far away for being interesting].

The event is focus on the sales, fashion managers and sellers, all waiting for making business with brands. In 2014 the attendance was about 30 thousand, from all over the world. I was there, working as a freelance journalist for one of the magazine I'm working for, but I took the chance to say hi my friends at Orobianco (and giving an interview as a blogger!) and take some behind the scene pictures.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Festival Internacional de Jornalismo em Perugia - 2012


Eu não tenho encontrado tempo ultimamente para me dedicar ao blog e sinto muito por isso. São mil coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas eu não posso deixar de registrar por aqui uma das experiências mais fantásticas da minha vida (mesmo que a noticia já seja velha).

Foram mais de mil inscritos e somente 200 selecionados para trabalhar como voluntários na sexta edição do Festival Internacional de Jornalismo que aconteceu em Perugia, de 25 a 29 de abril de 2012. E eu quase não acreditei quando vi o meu nome entre os selecionados!

Eu havia me inscrito fora do primeiro prazo, quando soube do evento e me maravilhei com a idéia, em uma modalidade que não previa alojamento. Era uma maneira de completar a quantidade de voluntários necessários para a realização do Festival. E, para mim, uma oportunidade realmente unica!

Foram cinco dias de muito aprendizado e descobertas. Com a cabeça sempre a mil, tentando acompanhar as milhares de palestras que aconteciam nos diversos espaços da cidade: hotéis, teatros e auditórios.

Os temas debatidos eram os mais variados e interessantes possíveis: A comunicação através das mídias sociais, jornalismo em tempos de guerra, emigração e conflitos atuais em diversas partes do mundo (como Síria, Uganda e Egito), ética no jornalismo, máfia e criminalidade, justiça e poder, novas mídias, cyber-crime, economias emergentes e suas influências na comunicação, sustentabilidade e muitos outros.
Em Perugia eu conheci jornalistas e aspirantes a jornalista de todo o mundo: Estados Unidos, Espanha, Rússia, Eslovênia, Finlândia, Costa Rica, Uganda, Brasil e, é claro, de toda Itália. Foi uma troca intensa, em dias que eu não queria que se acabassem mais.
Tive a oportunidade de ver e ouvir ao vivo os jornalistas mais importantes dos principais veículos de comunicação do mundo como New York Times, Al Jazeera, The Guardian, Le Monde, La Repubblica, Corriere della Sera, RAI, Vanity Fair, entre muitos ouros. Estudiosos, escritores e pesquisadores das universidades Oxford, Duke, John Cabot, La Sapienza, Bologna, Bocconi, Perugia e Università degli Studi di Milano.
Durante essa semana aprendi muito, conheci outras realidades, me diverti, cresci, troquei experiencias, me emocionei, me surpreendi, construí relações, fiz contatos, fiz amizades, experimentei as maravilhas da cozinha umbra, bebi alguns vinhos, muitas cervejas e inúmeros cafés (afinal, jornalista que se preze não vive sem), me aprofundei em assuntos que jamais havia debatido antes, descobri coisas em comum com pessoas de culturas completamente diferentes da minha e, a minha bagagem, com certeza, voltou para Milão muito mais pesada, e muito mais rica, de quando parti para essa experiência. 
Se eu tivesse que resumir  esse evento em uma só palavra, essa palavra seria INESQUECÍVEL

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ser jornalista [fora do Brasil]

Muita gente tem me escrito com dúvidas sobre como estudar na Itália, como conseguir uma bolsa de estudos, como é viver por aqui, como exercer a profissão de jornalista na Itália, etc... Então vou tentar, sempre que possível, escrever mais sobre a minha experiência. Não sou nenhuma especialista no assunto, gente, então vou expor somente o meu ponto de vista a partir de como aconteceu comigo. É lógico que cada caso é um caso e, com você pode ser tudo muito diferente do que foi comigo. Então, encaremos tudo como um simples relato. Vou começar, como vocês já leram no título, pela profissão de jornalista.


Ser jornalista quer dizer gostar de escrever, saber e escrever e, principalmente, escrever bem. Quando você decide mudar de pais, quer dizer que voce é capaz de fazer tudo isso em outra língua, além da sua, senão caberá a você, abandonar a profissão. Mesmo que você migre já contratado por algum veículo de comunicação que, nesse caso, lhe mandará como enviado especial ou correspondente internacional, você vai precisar dominar o idioma para buscar informações, entrevistar pessoas, ler outras matérias, livros e “traduzir” tudo isso, seja no idioma local ou na língua materna.

Jornalista tem que dominar línguas e não tem muito como escapar disso. Tem que correr atrás, deixar a preguiça de lado, se empenhar e não ter medo de aprender, de descobrir e de desbravar novos caminhos. Conhecimento nunca é perda de tempo e, por mais que pareça improvável, um dia sempre serve pra alguma coisa.

No meu caso, graças a uma bolsa de estudos, fiz um bom curso de italiano, durante cinco anos. Hoje eu poderia dizer que foi pesado acordar cedo todos os sábados, pegar dois ônibus, atravessar a cidade, assistir 4 horas de aula, gastar o dinheiro que eu não tinha para almoçar fora, pegar mais dois ônibus, atravessar a cidade de novo e chegar em casa tendo “perdido” metade do meu sábado, durante anos. Mas a verdade é que não foi pesado. Eu trabalhava, estudava e namorava. Tinha mil opções e convites para me divertir aos fins de semana. Mas ao invés disso, eu preferia ir a aula, e em um determinado semestre desses tantos fui a única aluna 100% presente, simplesmente porque me apaixonei pelo idioma, pela cultura italiana e queria saber me comunicar bem. (E não somente me fazer entender, pois sou daquelas que se envergonham em falar errado, e sempre busquei falar de maneira correta o português). Enfim, peguei gosto pela coisa e um pouquinho de paixão pode fazer toda a diferença.

O problema foi que, do período em que terminei o curso, até quando ganhei consegui a bolsa para fazer o mestrado em Milão, passaram-se 5 anos e confesso que meu italiano estava mais que enferrujado, mesmo buscando, sempre que possível, manter o contato com o idioma batendo papo na internet com meus amigos virtuais italianos, ouvindo músicas, assistindo filmes... Quando cheguei à Itália e fui diretamente conhecer parentes italianos e assistir as aulas do mestrado, nos primeiros dias sofri um choque: para habituar o ouvido, para pegar um pouco de fluência, para perder a timidez.... E foi preciso ler muito em italiano, ver muita TV, prestar atenção na fala dos outros, comprar muito livro, gramática, dicionário e vocabulário para conseguir escrever toda a tese em italiano, fazer provas orais.

Mesmo assim, nunca me senti capaz de exercer realmente a profissão aqui na Itália (e não entremos nem mesmo na questão racismo e preconceito europeu. Nem no quanto foi difícil e demorado arrumar emprego em meio à crise em que a Itália está). Hoje trabalho em uma agência de comunicação escrevendo muito, traduzindo e aprendendo ainda mais. Na verdade, o meu ramo nunca foi tv e radio (ainda bem, porque acho que seria ainda mais complicado exercê-lo em outra lingua, não havendo contatos e tendo sotaque estrangeiro). Mas sim comunicação empresarial, internet, jornal impresso e revista. O que quero dizer é que as diferenças podem ser inúmeras quando se trata de jornalismo fora do nosso país. Lembro-me que quando peguei o primeiro jornal no metrô de Milão, fiquei indignada e tive a sensação de que estava tudo errado na estrutura da notícia, no respeito à ética e ás leis e a tudo aquilo que aprendi na faculdade. Por exemplo, nos jornais daqui, costuma-se fazer o maior "nariz de cêra" antes de chegar realmente à informação (ou seja, enrolar, encher linguiça, uma espécie de super introdução ao assunto) e, no Brasil, aprendemos que no lead (primeiro parágrafo da notícia) deve conter todas as informações relevantes da notícia (o quê, quem, como, onde, quando e por quê) e após lê-lo, você pode decidir continuar ou não, de acordo com o seu interesse pela notícia, mas o mais importante, você já teve acesso somente pelo lead. Tudo bem, com o tempo, eu entendi que com certeza existem mil particularidades que não querem dizer exatamente que sejam erradas, mas são simplesmente diferentes em cada país e, pra entender melhor o jornalismo aqui, ou me enquadrar, talvez eu deveria ter me formado na Itália.

Outro exemplo de diferença é que no Brasil não noticiamos casos de suicídio e aqui praticamente todo dia é noticiado. Além disso, na tv, tem uma coisa que me incomoda MUITO: os jornalistas trabalham com tudo anotado em um papel amassado e abaixam a cabeça (mostrando a careca, várias vezes, por minutos intermináveis). Eu não sei porque, mas um TP deve custar muito caro na Itália, né? Sem falar que, ao menos no jornalismo televisivo brasileiro, o figurino é totalmente adequado (sem decotes, maquiagem, penteados, brilhos e acessórios exagerados). É tudo alinhado no melhor padrão-Globo-de-qualidade. Já aqui, é praticamente um desfile de moda vulgar: assusta até os mais moderninhos liberais!

Outra questão importante é que para exercer o jornalismo na Itália, você precisa fazer a prova da Ordem Nacional dos Jornalistas, que eu não tenho nem idéia de como seja, mas somente através dela você terá o seu registro profissional.

Bom, espero ter esclarecido algumas dúvidas, mas não se baseie somente no que você leu aqui. Pesquise, informe-se, consulte outras fontes e entre em contato também com outras pessoas. Um bom jornalista nunca consulta somente uma fonte! ;-)