segunda-feira, 21 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Imagens do dia: Arco della Pace
terça-feira, 15 de março de 2011
"Where Children Sleep" – o novo livro de James Mollison
Confesso que quando vi as fotos de James Mollison para o livro Where children sleep (Onde as crianças dormem), fiquei bastante comovida. A ideia, muito criativa, simples e original apresente fotos de crianças do mundo todo e seus respectivos quartos e, assim, conta um pouco também suas histórias, suas culturas e seus sonhos.
Where children sleep – Onde as crianças dormem
http://blogue.brunoamaral.me/where-children-sleep-o-novo-livro-de-james-mo
Where children sleep – Onde as crianças dormem
Onde dorme a Thais: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot Ltd
Fonte: Telegraph.co.uk Em Rede: TopBlogs/Mariana AlmeidaThais tem 11 anos e mora com os pais e a irmã no terceiro andar de um bloco de apartamentos na Cidade de Deus (Rio de Janeiro – Brasil). O quarto que Thais divide com a sua irmã, tem diversos posters do cantor Felipe Dylon, de quem Thais é fã. Ela gostaria de ser modelo...
Onde dorme a Douha: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdDouha tem 10 anos e mora com os pais e 11 irmãos em um campo de refugiados palestinos em Hebron (Cisjordânia). Ela divide quarto com as suas cinco irmãs e frequenta uma escola proxima de sua casa e quer ser pediatra. Seu irmão, Mohammed, matou 23 civis em um ataque suicida contra os israelenses em 1996. Depois disso, os militares israelenses destruíram a casa de sua família. Douha tem um cartaz de Maomé em sua parede.
Onde dorme a Jasmine: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdJasmine ou Jazzy, tem 4 anos e vive em uma grande casa em Kentucky (EUA), com seus pais e três irmãos. Sua casa é na zona rural, e por isso rodeada por campos agrícolas. Seu quarto está cheio de coroas e faixas que ela ganhou em concursos de beleza. Jazzy entrou em mais de 100 competições desse tipo. Seu tempo livre é ocupado com ensaios. Ela quer ser uma estrela do rock quando crescer.
Onde dorme a Nantio: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdNantio é uma mocinha de 15 anos, ela é membro da tribo Rendille (Norte do Quênia). Suas tarefas são cuidar das cabras, cortar lenha e carregar água. Ela tem dois irmãos e duas irmãs. Sua casa é uma espécie de cúpula, a família de Nantio dorme em volta de uma fogueira que fica bem no meio da casa/tenda. Apesar de ter um namorado (é comun para uma mulher da tribo Rendille ter namorados antes de casar), Nantio está esperando um moran (guerreiro) que vai escolhe-la para casar. antes do casamento, ela terá que se submeter a circuncisão, como é o costume. Nantio cursou a escola da aldeia por alguns anos, mas decidiu não continuar.
Onde dorme o Tzvika: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdTzvika tem nove anos de idade e vive com a família em um bloco de apartamentos em Beitar Illit, um assentamento israelense na Cisjordânia – É um condomínio fechado de 36.000 Haredi (ortodoxos), os judeus. No local onde Tzvika vive as televisões e os jornais são proibidos. O garoto têm uma irmã e dois irmãos, com quem divide quarto. Tzvika vai para escola de carro. Na escola o esporte é banido do currículo. Tzvika vai à biblioteca todos os dias e gosta de ler as escrituras sagradas. Ele também gosta de jogar jogos religiosos em seu computador. Quando crescer quer se tornar um rabino, e sua comida favorita é bife e batatas fritas.
Onde dorme o Roathy: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdRoathy de 8 anos de idade vive nos arredores de Phnom Penh (Camboja). Sua casa fica em um depósito de lixo e seu colchão é feito de pneus velhos. Todas as manhãs Roathy e centenas de outras crianças recebem um banho em um centro de caridade local, antes de começarem a trabalhar, no lixão em busca de latas e garrafas de plástico, que são vendidos para uma empresa de reciclagem. Em torno de cinco mil pessoas vivem e trabalham como Roathy em Phnom Penh. O almoço é muitas vezes a única refeição de Roathy…
Onde dorme a Kaya: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdKaya tem 4 anos e mora com os pais em um apartamento em Tóquio (Japão). Seu quarto é forrado do chão ao teto com roupas e bonecas. A mãe de Kaya faz todos os seus vestidos (Kaya tem 30 vestidos e casacos, 30 pares de sapatos e perucas numerosos). Na escola Kaya ela tem que usar uniforme. Seus alimentos preferidos são carne, batatas, morangos e pêssegos. Ela quer ser um cartunista, quando crescer.
Onde dorme o Dong: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdDong, tem 9 anos, vive na província de Yunnan (Sudoeste da China), com seus pais, irmã e avó. Ele divide quarto com a irmã e os pais. A família cultiva seu próprio arroz e cana de açúcar. Dong gosta de escrever e cantar. Na maioria das noites, ele passa uma hora fazendo o seu dever de casa e uma hora para assistir televisão. Ele gostaria de ser policial.
Onde dorme o Joey: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdJoey tem 11 anos de idade, mora em Kentucky (EUA), com seus pais e a irmã mais velha. Ele acompanha regularmente o seu pai em caçadas. Joey tem duas espingardas e fez sua primeira morte (um cervo) aos 7 anos. Ele ama a vida ao ar livre e espera continuar a caçar quando crescer. A família de Joey sempre cozinha a carne do animal caçado. Ele não concorda que um animal deve ser morto só por esporte. Quando não está caçando, Joey frequenta a escola e gosta de ver televisão com o seu lagarto de estimação, Lily.
Onde dorme a Indira: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdIndira tem sete anos, vive com seus pais, irmão e irmã perto de Kathmandu (Nepal). Sua casa tem um quarto, com uma cama e um colchão. Na hora de dormir, as crianças compartilham o colchão. Indira trabalha na pedreira de granito local desde que tinha 3 anos. Há 150 crianças que trabalham na pedreira. Indira trabalha seis horas por dia e ajuda a mãe nos afazeres domésticos. Ela também freqüenta a escola. Sua comida preferida é macarrão. Ela gostaria de ser bailarina quando crescer.
Onde dorme o Home: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot LtdHome e sua família dividem um colchão em um campo nos arredores de Roma, Itália. A família veio da Roménia. Quando eles chegaram em Roma, acamparam em terras privadas, mas a polícia os tirou de lá. Eles não têm documentos de identidade, e portanto, não podem obter um trabalho legal. Os pais do garoto limpam pára-brisas de carros nos semáforos. Ninguém da família de Home frequentou ou frequenta a escola.
Onde dorme o Lamine: Foto: (c) James Mollison/Chris Boot Ltd
Lamine tem 12 anos de idade e vive no Senegal. Ele é um aluno na escola da vila do Corão, onde as meninas não são permitidos. Lamine divide uma sala com vários outros garotos. As camas são apoiados por alguns tijolos. Às seis da manhã todos os meninos começam a trabalhar na fazenda da escola, onde eles aprendem a escavação, a colheita do milho e arar o campo. À tarde, eles estudam o Corão. Em seu tempo livre Lamine gosta de jogar futebol com seus amigos.
http://blogue.brunoamaral.me/where-children-sleep-o-novo-livro-de-james-mo
segunda-feira, 14 de março de 2011
Inspiraçao para o quarto novo
O mais importante ja foi feito, que era achar um quarto central, espaçoso e relativamente economico. Mas a saga continua para decora-lo e mobilia-lo ao meu modo. Até me cansar disso tudo e ter realmente o MEU cantinho.
terça-feira, 8 de março de 2011
Imagens do dia
Ontem foi a primeira noite no quarto novo e hoje, quando acordei, me deparei com um dia assim pela janela da cozinha.
E um céu azul assim enquanto eu esperava o onibus e tentava acreditar que, apesar do frio, o inverno esta acabando.
Quando eu sai do trabalho, às 18:30, e me dei conta que ainda tinha a luz do dia, pude acreditar que milagres existem!
E um céu azul assim enquanto eu esperava o onibus e tentava acreditar que, apesar do frio, o inverno esta acabando.
Quando eu sai do trabalho, às 18:30, e me dei conta que ainda tinha a luz do dia, pude acreditar que milagres existem!
Dia Internacional da Mulher
Antes de tudo, parabéns a todas!!
O post de hoje é para divulgar um novo projeto, destinado às mamaes brasileiras em todo o mundo.
Para comemorar o nosso dia, o site Mães Internacionais preparou uma blogagem coletiva que vai falar sobre as “mulheres internacionais”, evidenciando as diferenças culturais das mulheres brasileiras frente as mulheres de outros 12 países. Esse post será uma blogagem especial do projeto entre mães internacionais e brindará o nascimento do site (http://www.
segunda-feira, 7 de março de 2011
A Diaba veste Ralph Lauren III: A rainha no showroom
Dias desses, quando eu ainda trabalhava no showroom (ok, meeeses atrás), cheguei bem cedo ao trabalho e notei uma agitação geral por parte dos funcionários como eu. Demorou um pouco até eu descobrir que se devia à tão esperada presença da rainha da Dinamarca naquela manhã.
Quando ela chegou, confesso que tive uma certa dificuldade em reconhecê-la pelos seguintes motivos: ela não usava uma corôa, não era loira, não era chiquérrima e nem apresentava aquele ar de realeza de quem tem o rei dentro da barriga. Estava vestida de maneira simples, falava sem arrogância e tratava bem modelos e funcionários. Tudo bem que não era a rainha da simpatia, mas ser educado já é o máximo em um ambiente em que os clientes, muitas vezes, fazem competição em antipatia e frescura. Além disso tudo, ela não se acabou em compras, mas também não deixou a desejar, satisfazendo geral as milhares de vendedoras que a circundavam =D
Mas o mais curioso de tudo é que todas nós ficamos a sua completa disposição, e todas nós quer dizer: todas as modelos, todas as “vestieriste” como eu, diversas vendedoras e também toda a equipe de merchandising da Ralph Lauren. Os “pobres clientes comuns”, coitados, tiveram de esperar que as peças de roupa e modelos se liberassem para poder escolher alguma coisa. Enquanto ela era tratada realmente como uma verdadeira rainha. Visto que todas pagam na mesma moeda fiquei me perguntando: é justo?
quinta-feira, 3 de março de 2011
Ser jornalista [fora do Brasil]
Muita gente tem me escrito com dúvidas sobre como estudar na Itália, como conseguir uma bolsa de estudos, como é viver por aqui, como exercer a profissão de jornalista na Itália, etc... Então vou tentar, sempre que possível, escrever mais sobre a minha experiência. Não sou nenhuma especialista no assunto, gente, então vou expor somente o meu ponto de vista a partir de como aconteceu comigo. É lógico que cada caso é um caso e, com você pode ser tudo muito diferente do que foi comigo. Então, encaremos tudo como um simples relato. Vou começar, como vocês já leram no título, pela profissão de jornalista.
Ser jornalista quer dizer gostar de escrever, saber e escrever e, principalmente, escrever bem. Quando você decide mudar de pais, quer dizer que voce é capaz de fazer tudo isso em outra língua, além da sua, senão caberá a você, abandonar a profissão. Mesmo que você migre já contratado por algum veículo de comunicação que, nesse caso, lhe mandará como enviado especial ou correspondente internacional, você vai precisar dominar o idioma para buscar informações, entrevistar pessoas, ler outras matérias, livros e “traduzir” tudo isso, seja no idioma local ou na língua materna.
Jornalista tem que dominar línguas e não tem muito como escapar disso. Tem que correr atrás, deixar a preguiça de lado, se empenhar e não ter medo de aprender, de descobrir e de desbravar novos caminhos. Conhecimento nunca é perda de tempo e, por mais que pareça improvável, um dia sempre serve pra alguma coisa.
No meu caso, graças a uma bolsa de estudos, fiz um bom curso de italiano, durante cinco anos. Hoje eu poderia dizer que foi pesado acordar cedo todos os sábados, pegar dois ônibus, atravessar a cidade, assistir 4 horas de aula, gastar o dinheiro que eu não tinha para almoçar fora, pegar mais dois ônibus, atravessar a cidade de novo e chegar em casa tendo “perdido” metade do meu sábado, durante anos. Mas a verdade é que não foi pesado. Eu trabalhava, estudava e namorava. Tinha mil opções e convites para me divertir aos fins de semana. Mas ao invés disso, eu preferia ir a aula, e em um determinado semestre desses tantos fui a única aluna 100% presente, simplesmente porque me apaixonei pelo idioma, pela cultura italiana e queria saber me comunicar bem. (E não somente me fazer entender, pois sou daquelas que se envergonham em falar errado, e sempre busquei falar de maneira correta o português). Enfim, peguei gosto pela coisa e um pouquinho de paixão pode fazer toda a diferença.
O problema foi que, do período em que terminei o curso, até quandoganhei consegui a bolsa para fazer o mestrado em Milão, passaram-se 5 anos e confesso que meu italiano estava mais que enferrujado, mesmo buscando, sempre que possível, manter o contato com o idioma batendo papo na internet com meus amigos virtuais italianos, ouvindo músicas, assistindo filmes... Quando cheguei à Itália e fui diretamente conhecer parentes italianos e assistir as aulas do mestrado, nos primeiros dias sofri um choque: para habituar o ouvido, para pegar um pouco de fluência, para perder a timidez.... E foi preciso ler muito em italiano, ver muita TV, prestar atenção na fala dos outros, comprar muito livro, gramática, dicionário e vocabulário para conseguir escrever toda a tese em italiano, fazer provas orais.
Mesmo assim, nunca me senti capaz de exercer realmente a profissão aqui na Itália (e não entremos nem mesmo na questão racismo e preconceito europeu. Nem no quanto foi difícil e demorado arrumar emprego em meio à crise em que a Itália está). Hoje trabalho em uma agência de comunicação escrevendo muito, traduzindo e aprendendo ainda mais. Na verdade, o meu ramo nunca foi tv e radio (ainda bem, porque acho que seria ainda mais complicado exercê-lo em outra lingua, não havendo contatos e tendo sotaque estrangeiro). Mas sim comunicação empresarial, internet, jornal impresso e revista. O que quero dizer é que as diferenças podem ser inúmeras quando se trata de jornalismo fora do nosso país. Lembro-me que quando peguei o primeiro jornal no metrô de Milão, fiquei indignada e tive a sensação de que estava tudo errado na estrutura da notícia, no respeito à ética e ás leis e a tudo aquilo que aprendi na faculdade. Por exemplo, nos jornais daqui, costuma-se fazer o maior "nariz de cêra" antes de chegar realmente à informação (ou seja, enrolar, encher linguiça, uma espécie de super introdução ao assunto) e, no Brasil, aprendemos que no lead (primeiro parágrafo da notícia) deve conter todas as informações relevantes da notícia (o quê, quem, como, onde, quando e por quê) e após lê-lo, você pode decidir continuar ou não, de acordo com o seu interesse pela notícia, mas o mais importante, você já teve acesso somente pelo lead. Tudo bem, com o tempo, eu entendi que com certeza existem mil particularidades que não querem dizer exatamente que sejam erradas, mas são simplesmente diferentes em cada país e, pra entender melhor o jornalismo aqui, ou me enquadrar, talvez eu deveria ter me formado na Itália.
Outro exemplo de diferença é que no Brasil não noticiamos casos de suicídio e aqui praticamente todo dia é noticiado. Além disso, na tv, tem uma coisa que me incomoda MUITO: os jornalistas trabalham com tudo anotado em um papel amassado e abaixam a cabeça (mostrando a careca, várias vezes, por minutos intermináveis). Eu não sei porque, mas um TP deve custar muito caro na Itália, né? Sem falar que, ao menos no jornalismo televisivo brasileiro, o figurino é totalmente adequado (sem decotes, maquiagem, penteados, brilhos e acessórios exagerados). É tudo alinhado no melhor padrão-Globo-de-qualidade. Já aqui, é praticamente um desfile de moda vulgar: assusta até os mais moderninhos liberais!
Outra questão importante é que para exercer o jornalismo na Itália, você precisa fazer a prova da Ordem Nacional dos Jornalistas, que eu não tenho nem idéia de como seja, mas somente através dela você terá o seu registro profissional.
Bom, espero ter esclarecido algumas dúvidas, mas não se baseie somente no que você leu aqui. Pesquise, informe-se, consulte outras fontes e entre em contato também com outras pessoas. Um bom jornalista nunca consulta somente uma fonte! ;-)
Ser jornalista quer dizer gostar de escrever, saber e escrever e, principalmente, escrever bem. Quando você decide mudar de pais, quer dizer que voce é capaz de fazer tudo isso em outra língua, além da sua, senão caberá a você, abandonar a profissão. Mesmo que você migre já contratado por algum veículo de comunicação que, nesse caso, lhe mandará como enviado especial ou correspondente internacional, você vai precisar dominar o idioma para buscar informações, entrevistar pessoas, ler outras matérias, livros e “traduzir” tudo isso, seja no idioma local ou na língua materna.
Jornalista tem que dominar línguas e não tem muito como escapar disso. Tem que correr atrás, deixar a preguiça de lado, se empenhar e não ter medo de aprender, de descobrir e de desbravar novos caminhos. Conhecimento nunca é perda de tempo e, por mais que pareça improvável, um dia sempre serve pra alguma coisa.
No meu caso, graças a uma bolsa de estudos, fiz um bom curso de italiano, durante cinco anos. Hoje eu poderia dizer que foi pesado acordar cedo todos os sábados, pegar dois ônibus, atravessar a cidade, assistir 4 horas de aula, gastar o dinheiro que eu não tinha para almoçar fora, pegar mais dois ônibus, atravessar a cidade de novo e chegar em casa tendo “perdido” metade do meu sábado, durante anos. Mas a verdade é que não foi pesado. Eu trabalhava, estudava e namorava. Tinha mil opções e convites para me divertir aos fins de semana. Mas ao invés disso, eu preferia ir a aula, e em um determinado semestre desses tantos fui a única aluna 100% presente, simplesmente porque me apaixonei pelo idioma, pela cultura italiana e queria saber me comunicar bem. (E não somente me fazer entender, pois sou daquelas que se envergonham em falar errado, e sempre busquei falar de maneira correta o português). Enfim, peguei gosto pela coisa e um pouquinho de paixão pode fazer toda a diferença.
O problema foi que, do período em que terminei o curso, até quando
Mesmo assim, nunca me senti capaz de exercer realmente a profissão aqui na Itália (e não entremos nem mesmo na questão racismo e preconceito europeu. Nem no quanto foi difícil e demorado arrumar emprego em meio à crise em que a Itália está). Hoje trabalho em uma agência de comunicação escrevendo muito, traduzindo e aprendendo ainda mais. Na verdade, o meu ramo nunca foi tv e radio (ainda bem, porque acho que seria ainda mais complicado exercê-lo em outra lingua, não havendo contatos e tendo sotaque estrangeiro). Mas sim comunicação empresarial, internet, jornal impresso e revista. O que quero dizer é que as diferenças podem ser inúmeras quando se trata de jornalismo fora do nosso país. Lembro-me que quando peguei o primeiro jornal no metrô de Milão, fiquei indignada e tive a sensação de que estava tudo errado na estrutura da notícia, no respeito à ética e ás leis e a tudo aquilo que aprendi na faculdade. Por exemplo, nos jornais daqui, costuma-se fazer o maior "nariz de cêra" antes de chegar realmente à informação (ou seja, enrolar, encher linguiça, uma espécie de super introdução ao assunto) e, no Brasil, aprendemos que no lead (primeiro parágrafo da notícia) deve conter todas as informações relevantes da notícia (o quê, quem, como, onde, quando e por quê) e após lê-lo, você pode decidir continuar ou não, de acordo com o seu interesse pela notícia, mas o mais importante, você já teve acesso somente pelo lead. Tudo bem, com o tempo, eu entendi que com certeza existem mil particularidades que não querem dizer exatamente que sejam erradas, mas são simplesmente diferentes em cada país e, pra entender melhor o jornalismo aqui, ou me enquadrar, talvez eu deveria ter me formado na Itália.
Outro exemplo de diferença é que no Brasil não noticiamos casos de suicídio e aqui praticamente todo dia é noticiado. Além disso, na tv, tem uma coisa que me incomoda MUITO: os jornalistas trabalham com tudo anotado em um papel amassado e abaixam a cabeça (mostrando a careca, várias vezes, por minutos intermináveis). Eu não sei porque, mas um TP deve custar muito caro na Itália, né? Sem falar que, ao menos no jornalismo televisivo brasileiro, o figurino é totalmente adequado (sem decotes, maquiagem, penteados, brilhos e acessórios exagerados). É tudo alinhado no melhor padrão-Globo-de-qualidade. Já aqui, é praticamente um desfile de moda vulgar: assusta até os mais moderninhos liberais!
Outra questão importante é que para exercer o jornalismo na Itália, você precisa fazer a prova da Ordem Nacional dos Jornalistas, que eu não tenho nem idéia de como seja, mas somente através dela você terá o seu registro profissional.
Bom, espero ter esclarecido algumas dúvidas, mas não se baseie somente no que você leu aqui. Pesquise, informe-se, consulte outras fontes e entre em contato também com outras pessoas. Um bom jornalista nunca consulta somente uma fonte! ;-)
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