Eu queria estudar na
Italia, então escolhi um master em
comunicação e sociologia. Mas chegando em
Milão a universidade me avisou que o curso não havia tido quorum e não seria realizado este ano. Eu, que queria uma base sólida e bastante teórica para quando voltasse ao Brasil poder, quem sabe, lecionar em alguma universidade e largar a minha vidinha mal remunerada (embora muito amada) de jornalista em BH, acabei caindo de para-quedas em um master em comunicação, moda, turismo e entretenimento.

Eu, que nunca me interessei por moda, que acreditava que pessoas inteligentes não perdem o seu precioso tempo com esse tipo de futilidade, que mulheres de conteúdo não precisam se importar tanto com a "casca", acabei durante o curso, descobrindo outras maneiras
menos preconceituosas de analisar e compreender a moda. E, para minha surpresa, a adorada sociologia se encaixou muito bem nesse contexto. Afinal, do que mais a moda pode estar impregnada senão de comportamento humano em sociedade?
A primeira surpresa foi, ao andar pelas ruas de Milão, perceber à minha volta pessoas tão estilosas. Não no sentido de seguir tendencias e lançamentos de marcas famosas, mas no sentido de usar a criatividade em acessórios, cores e formas. A capital mundial da moda está cheia de
tribos das mais diversas partes do mundo (60% da população da cidade é composta por estrangeiros), com mil cortes de cabelo, estilos e comportamentos diferentes.
Após essa primeira percepção, descobri que
a moda tem muito espaço nas mídias e é tratada como
assunto sério. Mesmo porque, particularmente em Milão, ela contribui de forma essencial para o turismo de negócios, geração de emprego e renda e integração social.
O blog vai servir para registrar as descobertas deste novo mundo pra mim: as desconstruções de pre conceitos e lugares comuns, os conceitos que tenho aprendido nas aulas, as vitrines que tenho visto, as liquidações que tenho encontrado, os livros que tenho lido. Enfim, tudo aquilo que tenho vivido desde a
moda resolveu entrar de vez em minha vida!