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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Estudar na Italia: Documentos e práticas necessárias

Leia com atenção: esse post é pra voce que quer saber tudo sobre como vir estudar na Italia.

Como muita gente me escreve pedindo detalhes sobre as documentações, processos burocráticos, dicas e prazos para vir estudar na Italia, conto como foi o meu processo:

Primeiramente, pesquisei na internet todos as pos-graduações/masters disponíveis na minha área, escolhi os que mais gostei e mandei email às universidades. Pedi informações sobre bolsa de estudos, quase sempre. Já que informações sobre prazos e procedimentos para inscrição já havia lido no site da Università Cattolica del Sacro Cuore. Baixei milhares de editais para entender os procedimentos. Li, reli, traduzi e estudei. Procurei entender cada detalhe para não deixar passar nada batido.

Daí, pedi aos meus ex-professores de faculdade cartas de indicação, pois eu precisava anexar à documentação,  e eles me deram (lindas, por sinal! Um beijo aos meus queridos mestres!), devidamente assinadas. Além disso, reuni toda a documentação escolar da minha vida. Do colégio ao diploma de graduação. E também traduzi meu currículo e produzi uma carta de apresentação em italiano, sempre com a ajuda de uma ex-professora do curso de italiano. Mandei traduzir e autenticar em cartório diploma e histórico universitário. Depois escaniei tudo, junto aos certificados de todos os cursos que fiz, monografia e a ficha de inscrição (tanto de inscrição ao curso, quanto de requerimento da bolsa de estudos) preenchidos e assinados. É importante que em algum destes documentos tenha o titulo da sua tese na graduação e também sua nota final. O tradutor tem que ser juramentado pelo Consulado da sua cidade e toda a documentação, em um segundo momento, vai ser enviada pelo Consulado, que vai carimbar tudo, tudo... Mas primeiro, enviei tudo por email à Cattolica. No ultimo dia de prazo para me inscrever - porque meu sobrenome é Atraso e, o outro, Adrenalina.

Dois dias úteis depois, me mandaram um email marcando uma entrevista para a próxima semana. Em Milão. Perguntei se deveria ser necessariamente pessoalmente, pois sei de pessoas que o fizeram por telefone/skype, mas, como a resposta que tive não foi das mais esperançosas, resolvi embarcar pra não morrer sem saber no que essa historia ia dar.

Fiz o colloquio (entevista) em Milão e tive que voltar ao Brasil para aguardar a resposta e também para obter o visto de estudos. Depois de um mês a resposta chegou, fui admitida ao curso e também consegui a bolsa!

Daí mais e mais documentos ao Consulado, que envia tudo ORIGINAL à Universidade (que medo eu tive de tudo isso se perder no mundo!): comprovação de endereço do TRE e um seguro saúde, expedido pelo Ministério da Saúde, que se chama IB2. Meu pai também apresentou comprovantes de renda, redigiu e assinou um termo dizendo que havia condições de me manter e enviar 400 euros por mês para que eu vivesse e estudasse aqui (é uma pratica burocrática apenas, uma garantia/atestado que você não vai ser mais uma emigrante passando fome em um pais desconhecido). Você vai precisar de tudo isso (e talvez um pouco mais, caso eu esteja esquecendo algo), então quanto antes você providenciar tudo, melhor. Porque ao final, você fica louco com tanto documento a enviar. Eu fiquei mais louca ainda porque também providenciei a minha documentação para fazer minha cidadania aqui na Itália. Eu tinha pouco tempo porque ainda estava trabalhando todo o dia... Foi uma loucura, mas ao final deu tudo certo...

No colloquio, as perguntas são super simples, tipo “por que você escolheu esse curso, por que quer estudar na Itália e justo nessa instituição, que experiência você tem, o que espera do curso...” e basta. O seu italiano tem que ser bom não só por causa dessa entrevista, mas pq quando as aulas começam o ritmo é alucinante.

Bom, acho que é isso... Espero que meus depoimentos ajudem quem pretende vir estudar por essas bandas! 
In bocca al lupo!

Alguns momentos durante o master e o saldo positivo de que todos os esforços valeram a pena.

domingo, 11 de setembro de 2011

Casa quase nova!

Voltamos das férias de verão e encontramos a casa assim: com banheiro, portas e cozinha novos. Como num passe de magica: saíram as moradoras e entraram os pedreiros no inicio de agosto. E agora, saíram pedreiros e pudemos finalmente voltar pra casa. Com tudo novinho!
Agora sim, além do quarto novo, posso dizer que tenho uma casa nova!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nao vou sair [do pais] assim



Tenho recebido tantos e-mails de pessoas que chegam até mim através do blog que não tenho conseguido responder a todos. Por isso, sempre que eu tiver um tempinho, vou procurar escrever posts que esclareçam as dúvidas de todo mundo numa tacada só.  Eu já disse isso antes, mas na verdade, tenho feito muito menos do que eu realmente gostaria.

Muita gente me perguntou se vale a pena vir tentar a vida na Itália mesmo não tendo direito à cidadania, ou ao “permesso di soggiorno”.  Eu não sou nenhuma expert no assunto, pois vim para cá com o visto de estudo que durava um ano e, no meio tempo,  dei entrada no meu processo para obtenção da cidadania italiana (já que meu avô era italiano e eu tinha direito) e fiz tudo sozinha. Cheguei aqui preparada, com todos documentos autenticados, traduzidos e registrados em cartório. Como eu havia estudado italiano, em cada departamento público por onde eu passei, eu sabia me expressar tanto para esclarecer minhas dúvidas, quanto para falar bem alto que eu estava dando entrada em um processo ao qual eu tinha absolutamente direito e que ninguém estava me fazendo um favor, que era o trabalho deles, um direito meu e ponto final. Dito tudo isso, tudo deveria ter sido muito simples, mas não foi.

A Itália, teoricamente, é um país de primeiro mundo mas, na prática, é bem diferente. Houve muita divergência de informações, tempo perdido, burocracia e muita, mas muita ignorância. Gente mal informada, racista e preconceituosa por todos os lados. Mas nada nem ninguém ia me fazer desanimar de conquistar meus documentos e, assim, depois de um processo que durou 6 meses (e com a ajuda da minha tia italiana que me ensinou a falar mais alto, quando necessário), com muita paciência para contar a minha história de família para cada funcionário por qual eu tive que passar, eu obti o reconhecimento oficial das minhas origens. 

Nesses dois anos por aqui, eu conheci muitos brasileiros que moram na Itália, legalmente ou não, e posso dizer que para nenhum deles é/foi/será fácil. Um brasileiro que nunca saiu do país não faz ideia de quanto racismo exista na Europa. Simplesmente porque nós somos habituados a conviver com estrageiros há gerações e não nos diferenciamos tanto assim deles. Ok, países europeus como Itália, Portugal e Espanha estão sofrendo uma invasão enorme de estrangeiros ilegais e talvez isso seja realmente preocupante, mas o fato é que as pessoas já aprenderam a identificar cada um deles pela côr da pele, sotaque, modo de vestir, etc. Características insuficientes para estabelecer se uma pessoa é merecedora de respeito ou não. Enfim.

Certamente é uma das coisas que me deixam mais tristes por aqui é escutar as pessoas que julgam as outras baseando-se somente em sua origem. Existe o rótulo para os do leste europeu, para os latino-americanos, para os cineses, para os franceses, para os africanos, para os indianos, mas o mais absurdo é o preconceito entre os próprios italianos. Para mim, que venho de um estado que, só ele, já é maior que toda a Itália, e mesmo assim me reconheço/identifico/orgulho com um brasileiro que tenha nascido em qualquer lugar que ultrapasse as barreiras da minhas Minas Gerais e esteja entre o Oiapoque e o Chuí, é coisa aburda, ignorante e para gente de mente muito pequena mesmo discriminar alguém que nasceu a 20 km de você por qualquer que seja o motivo (diferença de dialeto, de vegetação ou tempero usado pela população vizinha na preparação de determinada sopa). Ah, me poupe, né? A cada 100 km existe alguma região que quer conquistar autonomia, que quer cultivar um dialeto criado somente para não ser entendido pelo vizinho, que diz não se identificar com a Itália seja pelas falcatruas cotidianas, pelo política corrupta ou pela polenta preparada mais mole ao norte do país ou mais dura ao sul. Sinceramente, quando uma região não tem problemas suficientes, precisa inventá-los. Eu odeio essa segmentação com todo o meu coraçãozinho e chego a me envergonhar dos meus 25% de italianidade nessas horas.

A verdade é essa: o processo de integração para um italiano do sul que veio viver no norte da Itália, já não é fácil, imagine para um estrangeiro. E tudo isso implica dificuldade para arranjar emprego, para fazer amizades, para convencer e conquistar pessoas em diversas situações e afeta também a auto-estima do emigrado. Se você não tem os documentos em ordem, tudo se complica ainda mais. Vai ter que se contentar com trabalhos de baixo nível (se conseguir encontrar um), sem contratos, sem estabilidade e com uma vida sem acesso à bella Italia que sempre vimos na novelas da Globo e nos filmes no cinema. 

Portanto, para você, que me perguntou se vale a pena viver na Itália sem os documentos necessários para tal, a minha resposta é absolutamente não. Reconheço as infinitas belezas, vantagens e maravilhas de viver na Itália, mas não me sinto nem um pouco confortável diante de preconceito e racismo destinados a quem quer que seja. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Dos prazeres da vida

Se tem uma coisa que me da prazer nessa vida, essa coisa se chama carimbar o(s) passaporte(s). E se eu tenho um motivo para ir à falência, que seja o mesmo! Porque eu quero mesmo é rodar o mundo, conhecer lugares, fotografar paisagens maravilhosas e ser feliz! o/



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Recomeçando

A vida é cheia de recomeços. Um dos maiores foi deixar meu pais, minha cidade, meu trabalho, amigos, namorado, cachorro e papagaio e vir atras de um sonho antigo. Pronta para enfrentar o desconhecido completamente sozinha pela primeira vez. Sou a caçula de casa e sempre fui muito protegida, única filha mulher e, ainda por cima, mais nova.... Vim com a cara e a coragem (uma bolsa de estudos, uma passagem de volta e toda documentação para pedir a cidadania italiana), mas o que eu mais tinha em minha bagagem era mesmo certeza. Certeza de ser o momento justo para a realização de um sonho. Nesse tempo tenho aprendido muito: me virar com a vida de adulta, me defender, me impor e me valorizar. De uma hora pra outra, ficou bem mais difícil esperar que alguém o fizesse por mim.
Desde que cheguei em Milão, foram tantos episódios de filme de tensão, que eu fico com preguiça de contar coisa ruim. Como se eu não tivesse mesmo tempo a perder com nada que seja negativo. Os ladroes foram so um caso e, pouco a pouco, a vida tem entrado no seu ritmo da maneira como eu sempre busquei. Como esse é um espaço pro meu lado fútil, seguem algumas fotos que também fazem parte dessa reconstrução (já que eles levaram minha caixinha de bijuterias sem do nem piedade, mesmo nao valendo nada).









quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tem dia que é foda.

Tem dia que é foda. Dai voce sai estressada do trabalho e caminha a cidade inteira. Ve coisas assim, lembra de quando tudo era somente um sonho, toma sorvete e melhora.

domingo, 24 de abril de 2011

Quarto novo!

Nao sei se voces repararam, mas essa semana meus posts quase nao tiveram texto e eu quase nao dei as caras por aqui. Nao so pela correria de estar envolvida em tres projetos diferentes e trabalhando sempre até mais tarde, mas também porque nas semanas anteriores andei fazendo compras pro quarto novo e, consequentemente, montando movéis, arrumando e limpando tudo. Meus ultimos fins de semana foram de pouca diversao e muuuita arrumaçao. O que acarretou um cansaço fenomenal, com direito a dores por todo o corpo (véio é foda!) e um resfriadinho super chato trazido pela mudança de temperatura. A parte boa é ver tudo arrumadinho depois, poder desfazer malas e caixas e organizar tudo dentro das gavetas, pendurar tudo no armario e descobrir coisas que nao via ha tempos! Vim mostrar pra voces todas as fases desse trabalhao:

Primeira fase: comprando os moveis no Ikea e enfiando tudo dentro do carro. Sobrou pouco espaço pra mim.
Mas aproveitei a ocasiao para ja iniciar a leitura das instruçoes e aprender o passo-a-passo. Tudo isso num calor ideal pra fritura de miolos!
Segunda fase: tralha para todo lado, tudo ainda dentro de caixas e malas, montagem da cama, pedacinho por pedacinho e o resultado final.
Terceira fase: montagem da comoda: ainda mais dificil que a cama! Mil detalhes e pedacinhos para encaixar, pregar e martelar! Depois de seguir milhares de instruçoes, a satisfaçao de ter algo (bem) montado por voce.
Organizador de gavetas incrivel encontrado no Ikea!

Da pra separar calcinhas, sutiens, biquines e tudo mais!
Apos limpar e faxinar, hora de colocar cada coisa em seu devido lugar. Chaves da casa nova e departamentos tecnologia, literatura, zoo, etc...

Ja da pra sentir uma harmonia melhor, né? Tudo começando a ficar mais organizado.
Além do quarto arrumadinho, ainda que faltem quadros nas paredes e pequenos detalhes, estou super feliz em dividir a casa com duas italianas simpaticissimas e super divertidas.
Posso te contar que estou bem mais tranquila agora e que esta dificil me tirar de casa? =D

Vorrei ringraziare specialmente il mio ragazzo che mi ha aiutato tantissimo in tutte le fasi con la sua forza incredibile nelle braccia, con la sua generosità e pazienza. Grazie, pisu!!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre a visita de ontem


Parecia um filme de terror. Entrei no prédio e estava tudo escuro, procurei o interruptor e percebi  que não havia elevador. Percorri os três andares pela escada e, no último lance, notei que haviam milhares de coisas pelo chão: esculturas, móveis e coisas que não deveriam estar ali. Na porta, uma senhora me esperava. Loira, olhos azuis e roupas simples. Entrei, me apresentei e ela me mostrou a casa. O corredor era extremamente estreito devido às coisas que ali estavam: caixas, lençois, cestos. Até o teto. O banheiro ainda conservava as louças de 1910. Como trilha sonora, miados de duas gatas antipáticas. No quarto, uma escrivaninha pequena, uma cama de casal e um sofá cobertos por lençois brancos. A parede era, na realidade, uma divisória fina e mal colocada. Luzes baixas que tornavam o ambiante mal iluminado. Eu não sabia onde me colocar para estabelecer um diálogo com essa senhora. Educada, simpática, mas extremamente bagunceira. Talvez teria sido melhor não ter assistido Psicose na noite anterior para não fazer associações tão absurdas mas, de qualquer maneira, minha senhora, isso aqui nunca será um lar.

Pelo estado do apartamento, deveria ser ela a me pagar 430 euros por mês para estar ali. 
#cansada

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vamo que vamo!

Meninas, gostaria de agradecer os comentários do penúltimo post. Fiquei muito feliz com o incentivo de vocês. Foi ótimo descobrir que tenho mais do que 3 leitoras e é muito bom sentir esse retorno. Como vocês sabem, blogar dá trabalho, exige dedicação, tempo, criatividade e disciplina. E às vezes é muito bom saber que nao estamos falando sozinha. Mesmo mantendo o blog pelo simples prazer de publicar coisas que me inspiram, me despertam interesse ou me chamam atenção é melhor ainda poder dividir e trocar impressões. Obrigada de coração Eneida, Juliana Rossa, evi, Juliana, Carla Guanais Branchini, Karol Nascimento, Ariadne Lima, Mônica, Aline Buaes, Liana!

Bom, complementando as informações respondo às questões levantadas por vocês através dos comentários:
1 - Sim, o condomínio tem porteiro durante todo o dia, mas nota-se que o comportamento do sujeito é meio displicente, né? Digamos que para meninas bonitas, ele está sempre disponível, mas não está atento às pessoas desconhecidas que entram munidas de ferramentas e saem carregando malas.
Eu sentia uma certa segurança ali justamente por ser um condomínio fechado, com um jardim interno que distancia os prédios e janelas da rua, mas enfim, quando um ladrão esta determinado a roubar, nao acho que haja dificuldade que nao possa ultrapassar. Além disso, desconfio (é quase uma certeza minha) que a proprietária, quando esteve no apartamento no sábado e eu nao estava, deixou a persiana aberta (que é um tipo bem pesado e se chama taparella) do quarto pelo qual os ladrões entraram, facilitando o acesso e até mesmo a visibilidade do interior do ap. Esse fato me trouxe muita raiva, mas como não existe maneira de mudar o que aconteceu, o jeito é nao desperdiçar tempo remoendo o erro dessa £$%&*&%£*!!!
2 - No fim de semana voltei ao apartamento e acabei de pegar todas as minhas coisas. Enquanto não acho um novo quarto pra alugar, vou me hospedando na casa de amigos com a vida toda dentro de caixas e malas.
3 - Posso ficar sem casa, sem grana e até meio sem rumo, mas sem camera fotográfica eu não fico, portanto já fiz o pedido da nova Nikon D3100, que é maravilhosa e custa o mesmo valor que paguei na minha adorada (e roubada) D60. Vou ficar completamente falida, mas já estou tão acostumada hauhauha, o importante é estar feliz! E nós duas vamos ser muito felizes juntas ;)
4 - Ainda bem que eu havia feito o back-up de todos os meus dados do computador há mais ou menos um mês e nem tudo foi perdido. Como diz minha mãe, vão-se os anéis mas ficam-se os dedos!


Fatos curiosos:

- Ladrões parecem não ter muito apreço pela cozinha e nem passaram pela minha. Quando eu ainda trabalhava no showroom da Ralph Lauren, uma modelo também teve a sua casa invadida e a sua sorte foi ter usado o computador na noite anterior na cozinha. Os ladrões não o levaram e aposto que nem o viram.
- Levaram todas as minhas bolsas, que nao valiam nada, as botas da minha coinquilina (além de jóias e bijouterias) e vi que as maquiagens no banheiro também estavam remexidas. Será que se tratava de uma ladra?

- Tenho (ok, tinha) uma estante no armário cheia de livros. Jogaram tudo no chão e fuçaram todas as gavetas, mas os livros permaneceram intocados. Assim como meu dinheirinho escondido dentro de um caderno. Estou começando a acreditar que alimentos e material escolar são grandes aliados contra roubos e potenciais caixas-forte.

Fica a dica e vamo que vamo!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

De repente, tudo muda

Talvez eu devesse ter falado mais aqui da minha vida pessoal para que, hoje, vocês entendessem que eu já passei por MUITA coisa desde que cheguei à Italia. E que, na minha vida, nunca recebi nada sem esforço e força de vontade. Você pode entrar aqui achando que é um blog de uma patricinha falando de moda em Milão bancada pelos pais... mas a realidade é bem diferente e chegar aqui não foi tarefa fácil nem barata.

Na gaveta, dentro de um caderninho ao menos a grana, que eu havia sacado ha pouco pro aluguel, ainda estava lá. Em desespero, chorando, eu ri quando encontrei o dinheiro, pois pelo menos ele se salvou. No outro quarto, da outra menina, tudo revirado da mesma maneira, e no quarto maior, que estava desocupado, a porta da varanda havia sido arrombada e estava ainda completamente aberta.

Uma amiga veio correndo me encontrar enquanto eu esperava a policia chegar, arrumei uma mochila e, após o depoimento, fui dormir na casa dela (ok, eu não consegui dormir nem um pouco). E no dia seguinte, uma outra amiga me acompanhou à delegacia para fazer a denuncia, e depois, ao apartamento para encaixotar tudo para me mudar dali. Mesmo sem ainda ter encontrado um lugar melhor. Por enquanto estou na casa da mesma amiga onde dormi na primeira noite.

Em pouco tempo, apesar de não ter a minha família e seu apoio por perto, consegui arrumar tudo e tenho certeza que vou encontrar uma casa legal logo. Tive a sorte de encontrar bons amigos na Italia, de maneira que estou sempre bem acompanhada, seja em momentos de diversão que em momentos tristes e chatos como esse.

È chato ver tudo que demorei tanto a comprar ser levado assim. Foram coisas que consegui comprar somente porque ganhei uma bolsa de estudos e a câmera, um caso a parte, pois era um sonho antigo que sempre pareceu muito distante. Fiquei completamente falida depois da aquisição, mas tinha sempre aquele gostinho de que valia a pena no final das contas. A verdade é que quando me deram essa bolsa de estudos para estudar em Milão, ganhei um pacote de possibilidades novas e, assim, finalmente foi possível realizar sonhos e satisfazer paixões como essa pela fotografia.




Nessa segunda-feira cheguei do trabalho à noite e quando abri a porta de casa, notei que havia uma cadeira apoiada à porta, todas as luzes acesas e dali pude ver a porta do meu quarto, que tranco sempre antes de sair de casa, aberta. Me aproximei e encontrei todas as minhas coisas reviradas, jogadas no chão, fora de seus lugares. O computador que havia deixado no móvel ao lado da cama, não estava mais ali. A câmera fotográfica Reflex na estante, também não. E foi então que me desesperei, chorei, xinguei e não acreditei: me roubaram tudo que eu tinha. E tudo era só isso mesmo.


Estranhamente, após o primeiro impacto do susto, fui invadida por uma sensação de confiança de que tudo ira se ajeitar muito em breve. E sem nenhum passe de magica ou crença em seres milagrosos, apenas trabalho e vontade de evoluir cada vez mais sem me prender aos imprevistos que a vida me apresenta.


Talvez porque, depois de dois anos morando em Milão, eu finalmente tenha encontrado um emprego em uma agencia de comunicação (e tudo aconteceu de uma maneira tão especial que merece um post exclusivo pra contar). Estou trabalhando na minha a área, como eu queria, em um ambiente super criativo e divertido, aprendendo muito a cada dia, conhecendo muita gente, me sentindo cada dia mais integrada e prevendo somente melhoras daqui em diante. Que as urucubacas fiquem em 2010 porque eu estou pronta pra começar 2011 com tudo e sei que, longe ou perto, estou cercada de pessoas especiais que só querem me ver feliz (e é por isso que agora você me vê sorrindo em San Gimignano e Siena).






Boas festas a todos!



domingo, 2 de agosto de 2009

O inìcio

Eu queria estudar na Italia, então escolhi um master em comunicação e sociologia. Mas chegando em Milão a universidade me avisou que o curso não havia tido quorum e não seria realizado este ano. Eu, que queria uma base sólida e bastante teórica para quando voltasse ao Brasil poder, quem sabe, lecionar em alguma universidade e largar a minha vidinha mal remunerada (embora muito amada) de jornalista em BH, acabei caindo de para-quedas em um master em comunicação, moda, turismo e entretenimento.

Eu, que nunca me interessei por moda, que acreditava que pessoas inteligentes não perdem o seu precioso tempo com esse tipo de futilidade, que mulheres de conteúdo não precisam se importar tanto com a "casca", acabei durante o curso, descobrindo outras maneiras menos preconceituosas de analisar e compreender a moda. E, para minha surpresa, a adorada sociologia se encaixou muito bem nesse contexto. Afinal, do que mais a moda pode estar impregnada senão de comportamento humano em sociedade?

A primeira surpresa foi, ao andar pelas ruas de Milão, perceber à minha volta pessoas tão estilosas. Não no sentido de seguir tendencias e lançamentos de marcas famosas, mas no sentido de usar a criatividade em acessórios, cores e formas. A capital mundial da moda está cheia de tribos das mais diversas partes do mundo (60% da população da cidade é composta por estrangeiros), com mil cortes de cabelo, estilos e comportamentos diferentes.

Após essa primeira percepção, descobri que a moda tem muito espaço nas mídias e é tratada como assunto sério. Mesmo porque, particularmente em Milão, ela contribui de forma essencial para o turismo de negócios, geração de emprego e renda e integração social.

O blog vai servir para registrar as descobertas deste novo mundo pra mim: as desconstruções de pre conceitos e lugares comuns, os conceitos que tenho aprendido nas aulas, as vitrines que tenho visto, as liquidações que tenho encontrado, os livros que tenho lido. Enfim, tudo aquilo que tenho vivido desde a moda resolveu entrar de vez em minha vida!